É bem provável que, neste exato momento,
pelo menos um brasileiro esteja precisando receber uma transfusão de
sangue. Isso porque, nos hospitais e clínicas de todo o país são
utilizadas cerca de 5.500 bolsas de sangue, por dia. A quantidade de
pessoas que depende das doações de voluntários é enorme. Menos de 1,5%
da população brasileira doa sangue regularmente e, pela falta de
doadores anônimos e de amigos voluntários, muitas pessoas podem morrer.
Doar sangue pode salvar uma vida.
Quem pode doar
Podem doar sangue todas as pessoas que:
-
Estejam documentadas (com carteira
de identidade ou outro documento equivalente);
-
Tenham boas condições de saúde;
-
Tenham entre 18 e 60 anos;
-
Pesem, no mínimo, 50 quilos;
-
Não tenham ingerido bebidas
alcóolicas nas 24 horas que antecedem a doação;
-
Tenham dormido, pelo menos, seis
horas nas últimas 24 horas;
-
Não sejam usuários de drogas;
-
Não tenham múltiplos parceiros;
-
Não tenham doença hematológica,
cardíaca, renal, pulmonar, hepática, diabetes, hipertireoidismo,
hanseníase, tuberculose, câncer, sangramento anormal ou epilepsia;
-
Nunca tenham tido doenças de
chagas ou malária;
-
Não tenham contraído sífilis,
hepatite e não tenham tido contato com o inseto barbeiro.
Impedimentos temporários
Para não comprometer a saúde, uma pessoa não deve doar sangue se:
-
Estiver grávida ou em período de
amamentação;
-
Tiver feito alguma cirurgia
importante há menos de seis meses;
-
Tiver realizado um parto normal ou
tido um aborto há menos de três meses;
-
Tiver feito uma doação há menos de
60 dias, se for homem, ou há menos de 90 dias, se for mulher.
Doação passo-a-passo
Doar sangue é um ato simples e bastante seguro. Em um posto de doação,
qualquer pessoa disposta a ceder seu sangue passa por um processo de
triagem. Todo o material recolhido é várias vezes testado e
cuidadosamente examinado. Tudo ocorreacontece de forma bastante rápida.
O processo pode ser realizado em cerca de 30 minutos, apenas.
Ao chegar a um posto, o possível doador precisa passar, em princípio,
por um rápido teste de anemia. Depois, sua pressão arterial é medida e,
se ela não estiver alta ou baixa demais, a pessoa é encaminhada para uma
entrevista com um profissional. Com base nas respostas do voluntário,
sobre seus hábitos e seu estado de saúde, o responsável avalia se o
procedimento pode trazer risco a quem vai retirar sangue ou aos
receptores. Não havendo problemas, a pessoa é encaminhada para a doação.
Essa etapa dura entre 10 e 15 minutos. Cada pessoa doa cerca de 450
mililitro de sangue, que são transferidos para uma bolsa de plástico
fechada e esterilizada. Depois disso, o doador recebe um lanche e é
liberado.
O sangue, logo a seguir, é estocado em temperatura entre 1º e 6º Celsius
positivos. Uma pequena parte dele, recolhida em um tubo antes ou durante
a coleta, passa, então, por uma série de testes para detectar se o
doador era portador de alguma doença infecciosa que pudesse contaminar
os receptores. É verificada a possibilidade de o doador ter tido, entre
outros problemas de saúde, sífilis, hepatite B e C, doença de chagas ou
AIDS.
Se o sangue estiver em condições de ser aproveitado, será processado
para que seus componentes sejam separados. Isso significa dividi-lo em
hemácias, plasmas, plaquetas e crioprecipitado.
Com os componentes separados ou não, o sangue continua armazenado, em
temperatura adequada, dentro de bolsas plásticas bem vedadas, até ser
levado para o hospital ou centro médico que irá realizar a transfusão.
Recomendações
O uso de materiais individuais e descartáveis é obrigatório em todos os
estabelecimentos de coleta de sangue. Apesar de essa ser uma prática
comum para os profissionais dos bancos de sangue ou laboratórios, é
importante ficar atento à utilização desses materiais.
No dia em que for feita a doação de sangue é importante tomar muita
água, para repor o líquido perdido.
Tipos sanguíneos
O sangue humano é dividido em grupos e subgrupos. Cada pessoa possui um
tipo sanguíneo. Ele pode ser identificado em qualquer banco de sangue ou
laboratório, por meio de um exame feito a partir da coleta de apenas uma
gota de sangue.
Existem oito combinações de grupo sangüíneo (A, B, AB e O) e Rh
(positivo e negativo). No Brasil, 87% da população tem sangue do tipo O
ou A. Outras 10% têm sangue do grupo B. E somente 3% têm sangue do tipo
AB. Mas o mais raro é o O negativo. Esse tipo sangüíneo, que apenas 9%
dos brasileiros possuem, é também chamado de universal, pois pode ser
doados a qualquer pessoa. Por ser mais difícil de encontrar, é também o
mais necessário nos bancos de sangue.
Fim dos mitos
Sempre é importante lembrar que doar sangue não faz mal para a saúde. Ao
contrário do que muitas pessoas pensam, doar não emagrece e nem deixa o
sangue mais ralo ou grosso. Fazendo uma doação não há risco de se
contrair nenhuma doença. Todo o material utilizado na coleta é
descartável e individual.