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Proclamando Independência - Como Fundar uma Nação

Primeiro, pare de pagar impostos e arranje arame farpado para demarcar suas fronteiras. Para evitar dores de cabeça, é bom escolher um lugar que não seja parte de país nenhum. Há alguns pedaços da Antártida nessa condição. Mas, se o inverno não for sua estação preferida, faça como Leicester Hemingway, irmão mais novo do escritor Ernest: ele juntou plataformas marítimas em águas internacionais e fundou em 1965 sua República de Nova Atlantis, perto da Jamaica. Não basta só isso, claro: "Desde o século 19 é necessário o reconhecimento por parte de outros Estados. Sem isso, não existe representatividade internacional", diz o professor de direito internacional João Grandino, da USP. "Desse jeito, você não poderá fazer negócios com outras nações nem enviar embaixadores", completa. A solução para evitar que seu país seja considerado terra de ninguém, então, é caprichar na diplomacia. Leicester Hemingway fez isso: imprimiu selos de Nova Atlantis com a efígie do presidente americano na época, Lyndon Johnson. E o governante até mandou uma carta ao Hemingway caçula agradecendo a gentileza. Não chegava a ser um reconhecimento oficial dos EUA, mas já era um começo. Só pena que uma tempestade varreu Nova Atlantis do mapa pouco tempo depois. Leicester era apenas um sonhador? Era, mas não foi o único. Olha só. Os que tentaram...

Escolha seu modelo preferido de micronação e mãos à obra

República da Concha

A estrada que liga o arquipélago de Key West ao estado da Flórida foi bloqueada pelo governo americano numa reação ao tráfico de drogas. A reação do povo? Fundar uma república e, de quebra, declarar guerra aos EUA. Um minuto depois, levantaram a bandeira branca e pediram US$ 1 bilhão à ONU a título de ajuda internacional. Tudo brincadeira, claro. Mas que consegiram liberar a estrada, conseguiram.

Reino de Redonda

Cuidado com os grandões. Foi isso que o navegador Mathew Shiell aprendeu em 1865. Ele atracou na ilha de Redonda, no Caribe, e declarou que ali era seu reino. Bastou isso para chamar a atenção da Inglaterra, que anexou o lugar. Hoje a ilha é parte de Antígua e Barbuda. Mas ainda é cobiçada: rivais "disputam" na internet quem é o rei. Um deles até concedeu um título redondiano ao cinesta Pedro Almodóvar.

Waveland

Uma pedra de 25 metros de largura ao norte da Inglaterra é uma nação. É o que diz o "governante": o Greenpeace. Waveland foi fundada em 1997 como um protesto à extração de petróleo promovida pela Inglaterra nos arredores da ilhota. Mas a rainha Elizabeth não deu ouvidos à "população" da ilha - 3 ativistas. Quem sabe agora, que mais 15 mil pessoas ganharam cidadania de Waveland via internet, ela dê bola.

Principado de Sealand

Micronação de sucesso está aqui. Em 1967 o ex-major britânico Roy Bates ocupou uma plataforma abandonada no canal da Mancha, mudou-se para lá e fundou seu país. O lugar, do tamanho de uma quadra de tênis, ficava em águas internacionais na época da fundação. Hoje é parte da Inglaterra. Mas o "príncipe Roy" continua lá, sem ser importunado. Agora, ele planeja virar um ditador milionário hospedando sites de jogo.

Kugelmugel

Antes de sair por aí fundando nações, cuidado com o leão do imposto.O artista austríaco Erwin Lipburger, por exemplo, quase foi parar na cadeia por desencanar de pagar taxas na sua casa. Ou melhor, no seu país, fundado em 1984 como uma intervenção artística. O presidente da Áustria salvou a pele de Lipburger. E a casa, uma esfera suspensa e cercada por arame farpado, virou atração turística em Viena.

Província de Hutt-River

O fazendeiro Leonard Casley ficou revoltado com um aumento nos impostos sobre o trigo, e tomou uma decisão radical em 1970: declarou a independência de sua propriedade, no oeste da Austrália. Agora ele é o princípe Leonard 1º. O governo de seu país de origem não reconheceu a nova nação, mas e daí? Anos depois, o príncipe ganharia popularidade na internet. E como: até agora, já arrebanhou mais de 20 mil súditos.

República de Minerva

Achar lugar para criar um país não foi problema para o milionário americano Michael Oliver. Problema mesmo foi descolar areia para construir uma ilha artificial no sul do Pacífico em 1972. Mas, quando tudo já estava pronto, o governo de Tonga, o país vizinho, cresceu os olhos: mandou 100 homens para lá e anexou Minerva ao seu território. Trabalho em vão, já que, anos mais tarde, tudo foi engolido pelo mar.

Souvenir

Não basta montar uma nação, tem que fazer selo, moeda, passaporte...

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