É o procedimento usado para
disfarçar a origem de recursos ilegais. Quando alguém ganha
dinheiro de forma ilícita – por exemplo, com crimes como
tráfico de drogas, contrabando, seqüestro e corrupção – não
pode simplesmente sair torrando a grana. Tem de armar
estratégias para justificar a fonte e, assim, evitar
suspeitas da polícia ou da Receita Federal.
A expressão “lavar dinheiro” surgiu nos Estados Unidos para
designar um tipo de falsificação de dólares que incluía
colocar as notas na máquina de lavar para que adquirissem
aparência de gastas. De lá para cá, a “lavanderia”
sofisticou seus métodos. A integração do sistema financeiro
mundial permite que os recursos viajem entre contas
bancárias de diferentes países em questão de segundos e,
assim, o dinheiro sujo acaba incorporado à economia formal.
De acordo com o FMI, de 2,5% a 5% do PIB (produto interno
bruto) de cada país no mundo têm origem ilícita. No Brasil,
isso equivale a um montante de 37,5 bilhões a 75 bilhões de
reais.
Empresas de fachada
Criminosos abrem uma empresa em nome de um laranja, num ramo
que lida com bastante dinheiro em espécie, como bingo ou
restaurante. O dinheiro sujo entra na conta corrente da
empresa como tendo sido obtido com os serviços e, por isso,
fica limpo
Vantagem: A movimentação na conta bancária de uma empresa
não costuma levantar suspeitas
Pista: Movimentar somas incompatíveis com a natureza do
negócio pode chamar a atenção
Empréstimos faz-de-conta
Um integrante da quadrilha pede empréstimo no banco e usa,
como garantia, imóveis, investimentos ou ações obtidos com
dinheiro sujo. O banco concede o empréstimo e limpa, sem
querer, os recursos ilegais
Vantagem: O dinheiro originário de um banco pode ser
reinvestido sem levantar suspeitas
Pista: Sucessivos empréstimos, e facilidade para saldá-los,
podem levantar suspeitas
Compra de jóias, pedras preciosas ou obras de arte
Método bastante usado, já que vendedores de objetos valiosos
não costumam questionar sobre a origem do dinheiro. Para
limpar a grana, basta revender os quadros ou jóias
Vantagem: Em caso de fuga, esses objetos são transportados
facilmente
Pista: Várias compras e revendas de objetos caros, feitas
por pessoas que não podem comprovar a fonte do dinheiro
Paraísos fiscais
Criminosos compram empresas em paraísos fiscais – como são
conhecidos os países que guardam sob sigilo todas as
informações financeiras de quem tem conta em banco. Assim, é
difícil ligar o dinheiro da empresa ao criminoso que detém
as ações. Depois, basta reinvesti-lo através de bancos no
Brasil
Vantagem: É muito difícil encontrar o verdadeiro dono do
dinheiro
Pista: Nenhuma
Conto do bilhete premiado
Alguém com acesso ao nome dos premiados da loteria informa o
criminoso, que procura o sortudo e oferece uma quantia ainda
maior para comprar o bilhete
Vantagem: É um método simples, mas não pode ser usado
abusivamente. Afinal, ninguém (além do ex-deputado João
Alves) ganha 200 vezes na loteria
Pista: O nome de sortudos repetidos costuma ser enviado ao
Ministério da Fazenda
Fontes consultadas: Paulo Falcão, delegado-chefe da Divisão
de Repressão a Crimes Financeiros da Polícia Federal, e
Antônio Gustavo Rodrigues, presidente do Conselho de
Controle de Atividades Financeiras, Ministério da Fazenda
Paraísos fiscais
Países onde a tributação de renda é inferior a 20% do
patrimônio. As frouxas regras bancárias atraem muitos
criminosos.
Empresas offshore
São empresas de investimento - proibidas de produzir
qualquer coisa no território do país onde estão -
localizadas quase sempre em paraísos fiscais.
Laranja ou testa-de-ferro
Alguém que empresta/aluga seu nome para que outra pessoa
movimente contas bancárias, abra empresas ou compre imóveis.